Jun 24

Meninos e destinos

Publicado no Jornal Agora, de Rio Grande

Por Miki Breier*

 

Acidente de trânsito é rotina. Contabilizam-se os mortos e comparamos os dados com os anos anteriores. Campanhas de conscientização e aumento de fiscalização não têm sido suficientes para estancar a chacina nas estradas.
Como coordenador da Frente Parlamentar, em Defesa do Trânsito Seguro da Assembleia, tenho procurado refletir sobre o tema e ajudar a prevenir o que se costuma chamar de acidente. Integramos o lançamento do Comitê Estadual de Mobilização pela Segurança no Trânsito e o projeto da ONU intitulado Década do Trânsito, com o estabelecimento de diretrizes até o ano de 2020 visando a diminuir à violência.

Recentemente, dois fatos, entre tantos, me chamaram a atenção e me fizeram pensar sobre o que nos espera as estradas. Voltávamos de um roteiro via RST-287, já nas proximidades do município de Taquari, onde havia um acidente recém-ocorrido, o que exigiu que esperássemos.

Descemos para ver se alguém precisava de ajuda e sofremos um baque ao nos depararmos com um menino, com um pouco mais de um ano de idade desfalecido sobre o asfalto. Ele perdeu a vida exatamente na véspera do dia das mães. Todos que estavam no carro percorrem o restante do trajeto em absoluto silêncio, escondendo as lágrimas.

O outro acidente aconteceu em Belo Horizonte, na madrugada de 15 de abril. Um menino, também com um ano de idade, era retirado das ferragens de um veículo que capotou e levou à morte um casal. O responsável do Corpo de Bombeiros disse que ele só sobreviveu, pois a mãe envolveu-o em um abraço na hora do acidente.

Dois meninos de idade semelhante, dois destinos absolutamente diferentes. Por trás de cada acidente não apenas números estatísticos, mas vidas que deveriam seguir normalmente seu curso.

Conforme dados do Comitê, que é chefiado pelo vice-governador, Beto Grill, no ano passado, 1.723 pessoas morreram ainda no local onde houve o acidente. O número resulta uma média de 4,9 mortes ao dia. Se somadas as pessoas que faleceram posteriormente, o total vai para 2.240 vítimas e a média para mais de 6 pessoas por dia. Em 2011, a média está em 3,6 mortos/dia.

* Deputado estadual (PSB), presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa


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Autor: Miki Breier
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