A juventude à frente das grandes transformações
Por: Catarina Paladini, deputado estadual
Quando sugeri a criação de uma Frente Parlamentar em Defesa da Juventude, logo no começo do meu mandato na Assembleia Legislativa, o fiz por dois motivos: primeiro por estar convencido de que a juventude é o alicerce da sociedade - não por acaso foram e continuam sendo os jovens o motor das grandes transformações nas últimas décadas. O outro motivo é, antes de qualquer coisa, uma preocupante constatação: no Rio Grande do Sul, década após década, a juventude permaneceu às margens de políticas públicas que ofereçam alternativas saudáveis de trabalho, educação e lazer. O abismo entre a fase infantil e adulta, neste caso, transforma-se em um tortuoso caminho desprovido de oportunidades e repleto de desilusões.
Nossa posição, neste sentido, é clara. Acreditamos que o Estado não pode eximir-se de sua responsabilidade perante a juventude, muito pelo contrário: deve assumir um papel de protagonista em defesa da qualidade de vida desta parcela da população. Principalmente no Rio Grande do Sul, onde o número de habitantes entre 15 e 29 anos representa quase 25% da população total do Estado, torna-se fundamental que as divergências partidárias sejam colocadas de lado em prol da construção de políticas públicas permanentes para atender as necessidades de nossos jovens. Por este motivo, apresentei ao parlamento gaúcho uma proposta de emenda constitucional que pretende instituir o Conselho Estadual de Juventude.
Ao inseri-lo na constituição do Estado, pretendemos transformar o conselho - já existente por meio de decreto - em um espaço democrático, permanente e capaz de gerir políticas de Estado e não apenas iniciativas governamentais. Afinal, é inaceitável que o progresso seja interrompido periodicamente de acordo com a vontade de um ou outro governante. Com a instalação do Conselho Estadual de Juventude, proposto pela PEC 212/2011, de minha autoria, buscamos instaurar uma concepção de responsabilidade e coordenação das políticas de juventude através de um marco participativo e permanente. Na prática nada mais fiz do que atender o anseio de um coro ensurdecedor de milhares de jovens que, apesar de se encontrarem em situações muito diversas, compartilham valores, ambições e dificuldades.
Ao fim e ao cabo, são estes jovens os primeiros afetados pelas transformações econômicas dentro de um contexto social mais complexo, como o que vivemos atualmente. Tal diagnóstico reflete, em primeiro lugar, no claro desinteresse pelas formas tradicionais de participação na vida pública, fruto de um estranhamento em relação às políticas públicas dirigidas aos adultos e às crianças. Com a instalação do Conselho Estadual de Juventude, as oposições políticas e partidárias, essenciais para o fortalecimento de uma democracia sólida e participativa, possuem a oportunidade de saldar parte de suas dívidas com a juventude e, consequentemente, com toda a sociedade gaúcha. É para isso que estamos trabalhando.
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