Entrevista Beto Grill
No dia 1º de janeiro de 2011, Tarso Genro foi empossado como novo governador do RS. Junto a ele, assumiu como vice um socialista, ex-deputado estadual e ex-prefeito de duas cidades da região Centro-Sul. Jorge Alberto Duarte Grill, o Beto Grill, representa uma parte do Rio Grande que, desde Edmar Fetter, há 40 anos, não possuía representante no comando da administração estadual. Confira a entrevista dada por Beto Grill ao site do PSB em 2010, antes da posse:
Muitas pessoas acompanharam sua participação na campanha, lembram do senhor na campanha de 2006, mas ainda não conhecem inteiramente a história política do vice-governador eleito. Como o Beto Grill resumiria a sua trajetória, de deputado estadual nos anos 90 aos dias de hoje?
Beto Grill – O começo de minha história na política ocorreu junto ao início de minhas atividades como médico, quando fui trabalhar em São Lourenço do Sul. O dia-a-dia na medicina fez com que eu me deparasse com os diversos problemas sociais que enfrentávamos na época. Com o passar do tempo, apenas tentar curar as pessoas já não era o bastante, e me senti na obrigação de tentar algo a mais. Filiei-me ao PDT, onde me espelhava na figura de Leonel Brizola. Assumi a presidência do partido em São Lourenço e começamos a trabalhar uma candidatura para prefeito. Concorri em 88, em 89 participei ativamente da campanha do Brizola para presidente no primeiro turno e do Lula no segundo. Em 1990, devido ao trabalho realizado na região, concorri a deputado estadual e me elegi. Em 92, concorri a prefeito de São Lourenço, fui eleito e suspendi o meu mandato de deputado. Administrei o município até 96. Em 99, já pelo PSB, partido que atendia minhas ansiedades pessoais e me possibilitava fazer política de forma mais comprometida com as questões sociais, fui procurado por membros da comunidade do município de Cristal, onde surgiu o convite para concorrer mais uma vez a prefeito. Formamos uma grande aliança de partidos e me elegi em 2000, sendo reeleito em 2004. Cumpri o mandato por cinco anos e três meses. Renunciei a este mandato para concorrer a governador em 2006. Após a eleição, atuei como coordenador da bancada do PSB na Assembleia Legislativa. De lá para cá, atuei como médico em Camaquã, onde moro, e São Lourenço, até o começo da campanha em 2010.
O que permitiu que a esquerda voltasse a governar o RS após oito anos?
Beto Grill – No meu entendimento, isso ocorreu devido a uma série de fatores, entre os quais destaco a vontade de promover a mudança. O povo percebeu que a atual forma de governar o Rio Grande não atende às suas expectativas. Nosso Estado vem sofrendo um sucateamento em nome do chamado “déficit zero”, e essa situação chegou a um limite. A vitória no primeiro turno reflete essa insatisfação do eleitor com relação ao cenário atual. Outro ponto importante é o amadurecimento dos partidos de esquerda, que aprenderam a lição com os equívocos do passado e hoje abriram espaço para o diálogo. Colocamos em primeiro lugar a necessidade de estabelecer um projeto que buscasse desenvolvimento, distribuição de renda, aumento de empregos e melhores programas na área social. Ressalto também a campanha propositiva que apresentamos e a qualidade do nosso programa de governo e de nossos candidatos.
O que o senhor acha que foi diferencial na campanha da Unidade Popular Pelo Rio Grande?
Beto Grill – O nosso grande diferencial foi a forma com que conduzimos a campanha. Procuramos estabelecer o diálogo com todas as esferas da sociedade, apresentamos um programa de governo propositivo e bem definido e contamos com a participação em harmonia dos partidos da coligação, que trabalharam forte, capitaneados por aquele, que, sem dúvida alguma, é o mais preparado para governar o Estado. Percorremos todo o RS, estabelecendo contato direto com as comunidades através das caravanas, que nos permitiram observar de perto as reais necessidades de cada região. Isso foi decisivo para a construção de nosso programa de governo. Através das reivindicações colhidas nos encontros realizados, fomos capazes de organizar, de forma objetiva e propositiva, um projeto para governar o Rio Grande que vai ao encontro das aspirações do povo gaúcho. A participação dos partidos na construção desse projeto foi importantíssima. Todas as legendas tiveram espaço para apresentar suas ideias, defendendo propostas que consideravam essenciais para o programa. Por último, destaco a qualidade do nosso candidato. Tarso Genro provou, ao longo da campanha, que reúne todas as virtudes de um grande líder. Através dos encontros, caminhadas, comícios e dos debates, os eleitores do RS reconheceram a capacidade e o caráter do nosso governador eleito. O resultado nas urnas é a comprovação disso.
O senhor se destacou durante a campanha pela participação efetiva, realizando agendas por todo Estado. Podemos esperar um vice com o mesmo perfil participativo? Qual será o seu papel no governo de Tarso Genro?
Beto Grill – O papel de parceiro da administração. Pretendo ter minhas opiniões e expressá-las, mas sei exatamente para o que o povo do RS me escolheu e qual é o meu lugar. Serei fiel ao projeto que me colocou onde hoje estou, e procurarei criar uma atmosfera de colaboração e harmonia, para que Tarso possa trabalhar com tranquilidade, sabendo que possui em seu vice um amigo e aliado. Durante a campanha, houve uma perfeita sintonia de pensamento entre nós, que me permite estar certo de que os tempos de conflito entre governador e vice no RS ficarão para trás. Estarei sempre pronto a colaborar com o governo. De maneira mais específica, posso adiantar que estarei ligado às iniciativas voltadas para a Metade Sul, a qual representei na composição da chapa majoritária da Unidade Popular.
Após muito tempo, a Metade Sul do RS volta a ter um representante no governo do Estado. O que o povo dessa região pode esperar do novo vice-governador?
Beto Grill: O povo da Metade Sul pode esperar por um vice-governador atuante, que irá lutar pelo desenvolvimento das regiões menos desenvolvidas do RS. Tenho consciência da responsabilidade assumida e não vou falhar com o povo gaúcho. Vamos trabalhar, defender o nosso projeto, e colocar em prática as ações necessárias para promover o crescimento harmônico do Estado. Do ponto de vista estratégico, eu sou o fiador de que o processo de desenvolvimento do Rio Grande se dará de maneira equilibrada. Para tanto, é indispensável ter um olhar diferenciado sobre cada região. Não podemos tratar realidades diferentes de maneira igual. Há necessidade de termos uma atenção especial para as zonas deprimidas economicamente. A falta de investimentos nessas áreas do Estado faz com que regiões mais desenvolvidas também sejam prejudicadas, pois estas acabam tendo que lidar com problemas relacionados ao crescimento demográfico, mobilidade urbana e desemprego em grande escala – que ocorre devido ao êxodo populacional que ocorre pela busca de melhores oportunidades de trabalho. A Metade Sul tem recebido investimentos da União, como a Unipampa e o Polo Naval, que irão impulsionar o desenvolvimento nos próximos anos, e o governo do Estado será parceiro deste processo, com absoluta certeza.
O PSB sai fortalecido dessas eleições?
Beto Grill – Sem dúvida. O aumento de nossas bancadas na Câmara dos Deputados e na Assembleia mostra a aprovação do povo ao trabalho que vem sendo desenvolvido pelos socialistas. Tanto no Rio Grande quanto no Brasil, é possível observar o crescimento do nosso partido. Os governadores eleitos com a votação mais expressiva no país são do PSB. Todos os nossos candidatos à reeleição no RS receberam do povo a oportunidade de exercerem mais quatro anos mandato. Esse reconhecimento não surge do nada: ele só é alcançado com muito trabalho, dedicação, iniciativas concretas para a melhoria das condições de vida da população e transparência nas ações como homem público.
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Beto Grill

Filho do casal Wanderlei e Amélia Grill, Jorge Alberto Duarte Grill, o “Beto Grill”, casado com Adauri, é pai de sete filhos: Aline, Martha, Eduarda, João Pedro, Letícia, Jorge Lourenço e Vitória. Médico formado pela Faculdade de Medicina na Fundação Universidade de Rio Grande/FURG, em 1980, Beto se especializou em Medicina do Trabalho na Faculdade de Ciências Médicas de Porto Alegre no ano seguinte, fez residência médica em Traumatologia e Ortopedia no Hospital Independência e especialização como Perito Judicial.
Ao longo de sua carreira, trabalhou no Hospital Independência, em Porto Alegre. Após, voltou suas atividades para a Região Centro-Sul, que viria a ser sua casa e reduto eleitoral, onde também atua como empresário. Em São Lourenço do Sul, é membro do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia desde 1984. Manteve atuação profissional por 16 anos no município, em consultório, atendimento ambulatorial e hospitalar. Mudou- se para Camaquã em outubro de 2001, onde estabeleceu consultório e exerce atividades de atendimento. É membro do Corpo Clínico do Hospital Nossa Senhora Aparecida e médico plantonista do Serviço de Urgência e Emergência Traumatológicas do hospital desde 2002. Também foi professor no Curso de Formação de Técnicos de Enfermagem de uma entidade de ensino local.
Participa ativamente das agremiações esportivas da sua região. Foi presidente e vice- presidente da Sociedade Esportiva Cristal no fim dos anos 70, vice-presidente do Esporte Clube São Lourenço no fim dos anos 90 e presidente de honra do Esporte Clube São Lourenço de 2002 a 2004.
Atuação política
Beto Grill foi militante de esquerda durante o período do regime militar. Em 1983, filiou-se pela primeira vez em um partido político (PDT), onde permaneceu até 1999, quando passou a fazer parte do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Hoje, se destaca como um dos maiores representantes dos socialistas no Rio Grande, exercendo grande liderança na Metade Sul. Na Assembleia Legislativa, onde atuou em 1991 e 1992, foi co-autor da Lei da Reforma Psiquiátrica, a primeira no Brasil e que orienta a política de saúde mental vigente.
Foi prefeito de São Lourenço do Sul de 1993 a 1996 e priorizou a saúde e a educação e valorizou o funcionalismo público. No município de Cristal, foi eleito para dois mandatos consecutivos, entre 2001 e 2006, quando saiu para concorrer ao Piratini. Saneou as finanças e realizou diversas obras de infraestrutura, como calçamento de ruas, saneamento das vilas, melhorias de estradas, ampliação do posto de saúde e escolas. Em 2007, Beto Grill se tornou o coordenador da Bancada do PSB na Assembleia Legislativa, cargo que ocupou até 2008.
Demais cargos que ocupou:
- Conselheiro da CINTEA/RS (Companhia Intermunicipal de Estradas Alimentadoras) – 1993/1994.
- Vice-presidente da AMZCS (Associação dos Municípios da Zona Centro- Sul), regional da FAMURS, entre 2005 e 2006.
- Vice-presidente da AGM - Associação Gaúcha Municipalista – de 2001 a 2006 (por quatro gestões).







